Ser ou não ser “Tiete”?

Por Maristela Rosa

A arte é realmente um mundo mágico. Pense em quantas pessoas do mundo da música, da pintura ou da dança você é fã, eu, por exemplo, amo Beyoncé! E, pensando mais especificamente na Dança do ventre, não tem como não se encantar com um estilo ou até mesmo com uma bailarina.

Mas admirar alguém é algo comum e natural, nem mesmo precisa ser um artista: pode-se admirar alguém da família, um amigo, um professor… Quero falar de algo que vai além disso, sobre as “tietes”. Mas o que é ser tiete?

O site significados.com explica: “Tiete significa um indivíduo que é admirador ou admiradora fanática de alguém, geralmente com um artista, atleta ou político, pessoas famosas; são pessoas que manifestam grande admiração por uma pessoa pública. Tiete nada mais é que um sinônimo para fã”.

Eu e Lulu
Eu tietando Lulu Brasil

Ainda segundo o site, para ser uma verdadeira tiete há algumas características a serem seguidas: “Uma pessoa que é verdadeiramente fã ou tiete de alguém assiste a todas as novelas ou filmes de seu ídolo, compra todos os CD’s e procurar a ir a shows o máximo possível, até os que nem são em sua cidade”.

Grandes ídolos da música, por exemplo, estão acostumadas a esse tipo de assédio. Na verdade, muitas dessas “estrelas” recebem até mesmo assessoria e suporte especializado para aprender a lidar com a demanda de seus fãs. Mas e no mundo da Dança do Ventre, como lidar com isso?

Na verdade não quero falar sobre ser assediada, porque nunca passei por isso, estou longe de ter fãs; mas sim do outro lado, da posição de quem admira: como se comportar diante daquela bailarina que você ama? Daquele coreógrafo que você já assistiu a todos os vídeos?

Tive a ideia de escrever sobre isso há algum tempo atrás e essa ideia foi reforçada quando minha professora de dança, Rafaela Alves, que está vivendo um momento muito bom na carreira, disse ter sido reconhecida em São Paulo. Ela contou que, ao mesmo tempo que ficou assustada, se sentiu feliz pelo reconhecimento que nem mesmo esperava.

GEDSC DIGITAL CAMERA
Eu tietando Vanessa Castro

Esse relato dela me fez lembrar da primeira vez que estive no Mercado Persa (maior festival de danças árabes do país). A bailarina argentina, Saida, reconhecida mundialmente, era uma das convidadas do evento em 2012. Estávamos hospedadas no mesmo hotel que ela (muito chique) e acabamos a encontrando, junto com o músico Mario Kirlis, em um restaurante próximo ao hotel.

Ficamos super animadas, foi meio que um efeito cascata, uma dizendo a outra “olha a Saida!” e no fim estávamos todas dizendo: “OLHA A SAIDA!”. Ela agradeceu e tirou foto com a gente. Normal, né? Seria, se ela não tivesse esquecido de pegar o prato e não tivesse jogado um bolinho direto na bandeja. Sim, ela ficou tão nervosa e assustada por termos reconhecido ela, que nem se lembrou que, para almoçar precisava de um prato! É engraçado, mas isso mostra que, mesmo uma bailarina internacional não está preparada pra sofrer assédio.

Estou dizendo tudo isso para poupar sofrimentos. No mundo da Dança do Ventre as “tietes” têm que entender que é importante administrar expectativas: não é porque você assiste e comenta os vídeos da “fulana” que ela vai te ver e te abraçar. Não que ela seja antipática, mas apesar de ser uma bailarina ela não vive para os holofotes.

A maioria das bailarinas querem apenas poder se apresentar, mostrar sua arte e ensinar. Quer coisa mais “sem holofote” que ser professora? Outras até mesmo têm outro emprego: algumas são jornalistas, outra engenheiras, advogadas…

Às vezes é complicado administrar essa expectativa, eu sei! Na minha última ida a São Paulo estive próxima de Nur, Mahaila, Aziza, Kiania, Lulu Brasil… Elas passavam por mim como foguetes! Estavam preparando suas alunas para uma apresentação, estavam focadas. Como saber que tem uma fã ali no meio? Como parar pra pensar nisso?

Então, ser ou não ser tiete? Ser, claro! Assista aos vídeos, comente, vá aos espetáculos que puder, admire ao máximo! Gostar dos outros e querer o bem é sempre válido. Mas aceite que, no fim, mesmo que a gente as chame de “divas”, estamos lidando com pessoas comuns. E cá entre nós, tirar uma foto com aquela bailarina linda é muito bom!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s