A importância do estudo constante

Por Carol Alzei

Estude, se quiser ir além! Desde pequena ouvimos frases como essa, que discorrem sobre a enorme importância do estudo para todos os setores das nossas vidas. Estudar é sinônimo de progresso, significa suprir necessidades intelectuais. Na dança do ventre, o estudo constante é a única maneira que temos de evoluir a nossa dança, de imergir cada vez mais nas descobertas da arte que nos propomos a divulgar e refletir sobre nós mesmos.

DERBAQUEO estudo técnico é o mais prioritário entre as bailarinas, mas entre as suas prioridades deve existir o estudo da cultura árabe, da música e dos costumes e tradições. O começo do aprendizado na dança do ventre se assemelha ao início do estudo de um novo idioma. Após anos já conseguimos montar frases, compreender e identificar até mesmo possíveis erros de quem está falando ou escrevendo. Mas o sotaque e a fluência só vem quando nos permitimos a conhecer a fundo determinada região que usa o idioma que aprendeu para a comunicação. Na dança, esse sotaque é a ginga, é o feeling árabe, que só adquirimos com muito estudo!

No nosso caso, brasileiras e brasileiros, executar a dança do ventre é mexer em outra cultura, é entender a linguagem corporal de uma região onde não nascemos, não fomos criadas e pouco sabemos, devido a falta de interesse do ocidente pelo oriente de uma forma acadêmica e valorizada. Quase tudo que temos sobre oriente árabe, remete ao exótico, ao sensual, ao estranho. Sendo assim, cabe a nós bailarinas o dever e compromisso de estudar para não passarmos informações erradas com a nossa dança. Não é um caminho fácil, é bem árduo, erros acontecerão e a forma de reverter isso é só com o estudo.

Isso fica muito mais visível quando falamos de folclore. São 22 países árabes, cada região é diferente uma da outra e quando dançamos folclore, estamos interagindo com algo muito específico, muito cultural, é precMundo-árabeiso mais do que nunca ter a ginga, isso se você quiser fazer uma leitura musical mais profunda.

Precismos estudar para evitar preconceitos. É muito fácil criticar uma fusão ou um figurino quando nada sabemos. Na dança do ventre podemos ousar, pois ela não está presa a nenhuma tradição, como no caso do folclore. No entanto devemos refletir sobre o que está sendo propagado. Recomendo o podcast #53 sobre Naima Akef e o podcast #54 – Dança do Ventre, uma história de sobrevivência. Todas as duas produções do Sala de Dança conversa sobre a história da nossa dança e a visão ocidental dela. Não vou comentar mais, porque quero, realmente, que cliquem nesses links para ouvir. Estudem! Rs

Mas nem só de dança do ventre o mundo vive, é claro, que quando somos apaixonadas por algo a única coisa que pensamos é sobre o que faz nosso coração bater mais forte. O que quero dizer é que somos artistas, artistas precisam saber img-thingsobre arte em geral. Conhecer sobre pintura, música, literatura, tudo isso é material frequente de ajuda para nossa inspiração e criatividade. Jorge Sabongi, criador e diretor da Khan El Khalili, comenta em seu livro “Direção e Preparação Artística”: “Não tenha falsas ilusões. Um artista que não se torna uma pessoa bem informada em diversas áreas do conhecimento humano está fadado a cair mais cedo do que pensa. O sucesso, se vier, irá evaporar rápido!”

Ainda no mundo da dança, pesquise sobre outras modalidades, outros nomes, como Martha Graham, Isadora Duncan, Vaslav Nijinsky…Eles não são da dança do ventre, mas tenho certeza que o conhecimento sobre a arte delas e dele vai te levar a questionamentos de padrões técnicos e estéticos. É preciso refletir sobre nós, sobre nossa arte, para podermos ser artistas mais verdadeiros. O estudo é o nosso oxigênio para podermos sobreviver nas profundezas. Sem ele ficaremos no raso!

Fontes:

Podcast # 53 – Naima Akef : http://www.saladedanca.com.br/podcast-53/

Podcast #54 – Dança do Ventre, Uma história de sobrevivência : http://www.saladedanca.com.br/podcast-54/

Livro “Direção e Preparação Artística” de Jorge Sabongi e Débora Sabongi

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